O que estamos tentando preencher quando compramos? Um olhar para o consumismo e a ansiedade.
- Thaís Rozatto Psicóloga

- há 5 dias
- 2 min de leitura
Você já sentiu aquele impulso repentino de comprar algo para "aliviar" um dia estressante, apenas para perceber que a satisfação durou poucos minutos? Vivemos em uma sociedade que nos bombardeia com a ideia de que a felicidade está no próximo lançamento ou na posse de bens materiais. Como psicóloga, observo que essa cultura do excesso cria uma armadilha perigosa: a ilusão de que o consumo é um remédio para as nossas angústias, quando, na verdade, ele muitas vezes atua como um combustível para a ansiedade.
Do ponto de vista psicológico, é importante olhar para o que está por trás desse impulso de
consumir. Muitas vezes, a compra não atende apenas a uma necessidade prática, mas funciona como uma tentativa de lidar com emoções difíceis, como insegurança, solidão ou insatisfação pessoal. O problema é que esse alívio costuma ser passageiro. Logo após, pode surgir uma sensação de culpa, preocupação financeira ou até a necessidade de consumir novamente, criando um ciclo difícil de interromper.
Além disso, vivemos em uma cultura que valoriza a comparação constante. Redes sociais e propagandas reforçam ideias de sucesso, beleza e felicidade que na maioria das vezes não são realistas. Isso costuma gerar uma pressão interna para “acompanhar” um padrão, aumentando a ansiedade e a sensação de nunca ser suficiente. Nesse contexto, o consumo aparece como uma forma de tentar preencher essa distância entre quem somos e quem sentimos que deveríamos ser.

Adicionalmente, a sensação de "estar ficando para trás" ou de não ser "suficiente" porque não possuímos
determinado objeto gera uma ansiedade social profunda. Começamos a trabalhar exaustivamente para sustentar um padrão de consumo que não reflete nossas necessidades reais, sacrificando o tempo de descanso, o lazer e a conexão com pessoas queridas em prol de símbolos de status.
Uma visão crítica sobre o consumismo e a ansiedade não significa rejeitar completamente o ato de comprar, mas sim desenvolver uma relação mais consciente com ele. Perguntas simples podem ajudar: “Eu realmente preciso disso?”, “O que estou sentindo neste momento?”, “Essa compra resolve algo de forma duradoura?”. Cuidar da saúde mental também engloba reconhecer esses padrões e buscar outras formas de lidar com as emoções.


