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Redpills - um recorte da crescente misoginia no ambiente real e virtual

  • Foto do escritor: Thaís Rozatto Psicóloga
    Thaís Rozatto Psicóloga
  • há 7 dias
  • 2 min de leitura

Você já deve ter cruzado com o termo Redpill navegando pelas redes sociais. Pegando emprestada a metáfora do filme The Matrix, esses homens acreditam ter "tomado a pílula vermelha" e despertado para uma suposta realidade onde os homens seriam as verdadeiras vítimas de um sistema que beneficia as mulheres. Na prática, o que vemos no consultório e na vida pública é bem menos cinematográfico e muito mais preocupante: uma visão de mundo baseada na objetificação feminina e na crença de que relacionamentos são campos de batalha onde o controle e o poder devem ser exercidos a qualquer custo.


Um dos grandes problemas dessa ideologia é a forma como ela desumaniza a mulher, reduzindo-nos a categorias simplistas e desdenhosas (como o uso de termos técnicos de mercado para medir nosso valor). Para esses grupos, a mulher não é um sujeito com desejos, história e autonomia, mas sim um recurso a ser conquistado ou uma ameaça a ser neutralizada. Essa lente distorcida transforma a insegurança masculina em uma agressividade camuflada de estratégia, criando um ambiente onde a empatia é vista como fraqueza e a misoginia é celebrada como "honradez".

Mãos abertas seguram uma cápsula vermelha na esquerda e uma azul na direita, em fundo escuro, transmitindo escolha e contraste.

Do ponto de vista psicológico, é importante compreender que sentimentos como rejeição, inadequação ou dificuldade de se relacionar podem gerar sofrimento real. O problema surge quando esse sofrimento é direcionado para fora na forma de culpabilização das mulheres, criando uma lógica de oposição: homens como vítimas, mulheres como manipuladoras ou inimigas. Essa visão não só empobrece a compreensão das relações, como também impede o desenvolvimento emocional, já que afasta a possibilidade de autoconhecimento e responsabilização.


O que se observa, especialmente nos ambientes online, é uma amplificação desse discurso, muitas vezes acompanhado de misoginia explícita e até da naturalização da violência contra a mulher. A desumanização aparece quando mulheres deixam de ser vistas como sujeitos complexos, com desejos, limites e singularidades, e passam a ser tratadas como categorias fixas, objetos ou obstáculos. Esse tipo de pensamento, quando reforçado em grupos e comunidades, cria um efeito de validação mútua que dificulta o questionamento e fortalece atitudes agressivas.


Como psicóloga, é fundamental destacar que nenhuma experiência de frustração justifica a violência ou a desumanização do outro. Discursos que incentivam o ódio e a desigualdade não apenas prejudicam as mulheres, mas também aprisionam os próprios homens em modelos rígidos de masculinidade, onde vulnerabilidade, afeto e diálogo são vistos como fraqueza. Isso limita profundamente as possibilidades de construção de vínculos saudáveis e satisfatórios.


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